Alunos de Arquitetura e Urbanismo reúnem música e geometria em Estudo das Formas

Postado em 12/06/2019 por Renata Dias Lopes .

Com informações de Prof.ª Ariane Louzada Sasso Ferrão.

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A atividade avaliativa Archimusic, do 3° período do curso de Arquitetura e Urbanismo, foi planejada para ser uma aplicação ativa dos conceitos e Princípios da Ordem, apresentados por Francis D. K. Ching, em seu livro “Arquitetura - Forma, Espaço e Ordem”.

 

O planejamento da atividade previu que os alunos desenvolvessem e utilizassem de habilidades importantes para qualquer aluno de Arquitetura, tais como: percepção espacial sensorial; sinestesia; habilidade com representação de formas geométricas por meio de materiais diversos; conhecimento dos princípios da ordem aplicados à Arquitetura e Urbanismo.

 

Para tratar em uma única atividade todas as habilidades envolvidas, foram utilizados dois recursos como partes integrantes da metodologia do trabalho: músicas e planejamento, baseados na metodologia “Scrum”, de Jeff Suntherland e J.J. Suntherland.

 

Os alunos foram divididos em equipes, as quais receberam uma música de referência, que seria o objeto de estudo de cada equipe. O objetivo era que fossem capazes de desenvolver uma composição tridimensional, a partir do que eles percebiam e sentiam das composições musicais de referência.

 

As músicas utilizadas foram:

1998 – Binary Finary (Eletrônica);

Aqua – Maestro Kitaro (Instrumental);

Bolero – Maurice Ravel (Instrumental);

Hurricane 2000 – Scorpions e Orquestra Filarmônica de Berlim (Metal Sinfônico);

Indiana Jones Theme – Maestro John Williams (Instrumental - Tema);

Sol – Violonista Marcelo Nami (Instrumental).

 

Com as músicas distribuídas, as equipes as escutaram, considerando sobre cada composição musical, os principais Princípios de Ordem de Ching: Eixo de desenvolvimento; Simetria; Hierarquia; Ritmo/Repetição. Essas considerações deveriam ser transformadas em organização de formas e espacialidades.

 

Os espaços musicais sentidos pelos alunos deveriam ser transformados em formas que pudessem transmitir essas espacialidades. A partir disso, os alunos foram orientados a eleger um módulo ou elemento geométrico base que melhor expressasse as sensações principais que obtiveram de suas músicas.

 

Dentre os alunos da turma destaca-se a participação do aluno Fabiano, deficiente auditivo. Para que ele pudesse participar da atividade junto com a equipe, a professora preparou, com ajuda do contrabaixista Diego Dorigo Nunes, versão com graves amplificados da música Hurricane 2000, da banda alemã de hard rock Scorpions, de forma que ele pudesse captar a parte rítmica e métrica da música.

 

Nesta atividade, foi utilizada a versão Metal Sinfônica com arranjos do maestro Christian Kolonovits. A versão entregue a Fabiano continha a sobreposição de contrabaixo de Diego Dorigo Nunes. A percepção de Fabiano foi fantástica. Imediatamente, ele alcançou o objetivo do desafio, contribuindo enormemente para com o desenvolvimento conceitual do trabalho em sua equipe.

 

Os alunos foram orientados a organizarem os passos da atividade, que foi desenvolvida em aproximadamente 6 semanas, apoiados em um grande painel Scrum, por meio do qual era possível visualizar se havia comprometimento no andamento da atividade.

 

Emocionada com os resultados, a Prof.ª da Disciplina Estudos da Forma, Ariane Louzada Sasso Ferrão, relata: “Não posso dizer que a proposta foi de uma atividade simples, porque, desde o princípio, não era. Alguém precisa puxar de dentro deles a capacidade de sentir, que eles têm de sobra, mas fica guardada. Perceber e tratar o espaço e as formas não é fácil e exige muita capacidade sensorial e ligação entre os sentidos. Esses alunos entraram no 3º período como jovens despretensiosos, vão adiante com uma capacidade muito maior de perceber e de sentir o espaço e de se apropriarem da geometria”.

 

Ao final, os trabalhos foram apresentados na última quinta, 06, com êxito por todas as equipes, que cumpriram satisfatoriamente a complexa atividade Archimusical.